Como criar um SaaS do zero em 14 dias: a stack, o cronograma e as alternativas

Por Miguel Lemes · 31 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Dá para colocar um SaaS no ar em 14 dias se a primeira versão resolver um único problema, para um único tipo de cliente. A stack abaixo é a mais curta que conhecemos para isso no Brasil: Next.js, Supabase, Vercel e um meio de pagamento com Pix. O que atrasa quase nunca é a tecnologia. É a vontade de construir coisas que ninguém pediu.

Catorze dias também não significam um produto maduro. Significam algo que uma pessoa real consegue usar e pagar, para você descobrir se vale continuar. Os preços abaixo foram conferidos nas páginas oficiais em 31 de outubro de 2026 e mudam com frequência.

A stack e as alternativas

PeçaComece comTroque porQuando trocar
AplicaçãoNext.jsLaravel ou RailsSe o seu time já domina um deles. Conhecer a ferramenta vale mais do que a moda.
BancoSupabase (Postgres)Neon ou ConvexNeon, se você só quer o Postgres. Convex, se o produto é muito em tempo real e não exige SQL.
LoginSupabase AuthClerk ou Better AuthClerk, para ter telas e organizações prontas. Better Auth, para manter o login no seu código.
HospedagemVercel ProCloudflare ou VPS com DockerQuando o custo de uso pesar ou houver processos longos que não cabem no modelo.
E-mailResendAmazon SESCom volume alto, se valer o trabalho extra de configuração.
PagamentoAsaas ou AbacatePayStripe ou PolarPara vender fora do Brasil. Veja a comparação abaixo.

Quanto custa no começo?

Durante o desenvolvimento, dá para ficar nos planos gratuitos. Há dois detalhes que pegam muita gente no lançamento:

Na prática, o ponto de partida fica perto de US$ 45 por mês, mais o domínio e o que você gastar com IA. Nas alternativas, a Clerk dá até 50 mil usuários retidos por mês no plano gratuito, o Neon tem plano gratuito e cobra por uso depois, e o Convex tem plano gratuito e cobra US$ 25 por desenvolvedor no Professional. O Resend libera 100 e-mails por dia no plano gratuito.

Quanto fica em uma assinatura de R$ 99?

Taxa é o tipo de detalhe que parece pequeno até virar margem. Veja o custo de receber uma cobrança de R$ 99 nas tabelas públicas:

ServiçoPixCartão à vistaMelhor para
AbacatePayR$ 0,80R$ 4,07 (3,5% + R$ 0,60, recebendo em 30 dias)Quem vende principalmente por Pix
AsaasR$ 2,15 (R$ 1,08 nos 3 primeiros meses)R$ 3,45 (2,99% + R$ 0,49)Assinaturas com cartão e boleto, régua de cobrança
StripeR$ 1,18 (1,19%, só por convite)R$ 4,34 (3,99% + R$ 0,39)Quem também vende para fora; confira se há tarifa adicional de assinaturas

Vendendo para fora, olhe também a Polar: ela atua como vendedora oficial e cuida dos impostos internacionais, cobrando 5% + 50 centavos de dólar no plano gratuito, ou 3,8% + 40 centavos no de US$ 20 por mês. É mais caro por transação, mas pode compensar para quem não quer lidar com impostos de outros países. A decisão vale uma conversa com seu contador.

O cronograma, dia a dia

O que deixar para depois

E as ferramentas que geram o app inteiro?

Lovable, Bolt, Replit e similares são ótimos para mostrar uma ideia a um cliente na primeira semana. Se o projeto vai receber dados e pagamentos, revise o código com o mesmo rigor de qualquer outro. O problema raramente é a ferramenta: é publicar sem saber o que foi feito. Agentes de código, como os do nosso guia de Claude Code, ajudam a acelerar boa parte desse cronograma, desde que cada etapa tenha um teste para comprovar que funciona.

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